Somos mônadas, como várias ilhas distantes umas das outras separadas por um vasto e desconhecido oceano. Mas existem pontes entre essas mônadas, janelas que se abrem diretamente para outras ilhas, que fazem contato, que estabelecem relações e a dor de um é a dor de todos porque todos somos mônadas, ilhas solitárias feitas da mesma matéria bruta e insensível, cercadas prlo mesmo bravo e incompreensível mar escuro, que vai, aos poucos, tragando as mônadas, uma a uma, num ciclo ininteligível, indecifrável, ilógico. E ele não escolhe as mônadas, não quer as solitátias, ou as tristes ou as que se cansaram de ser mônadas. Não. Ele não tem critérios, sua sentença é aleatória. E definitiva.
Posso sentir a água, o vento, o calor, o frio, a energia... só não consigo encontrar uma teoria, uma lógica, um sentido. Qualquer coisa...
cheia
de tanta falta
cansada
de tanto nada
exausta
rodando e rodando
como em um carrossel
sem começo nem fim
completamente sem sentido
pra que tanto alarde?
fale baixinho
quero escutar o som
do escuro
o barulho inebriante
do silêncio da noite
Diáfano manto de poeira celeste
Que não encobres nem escondes
Mas emprestas à lua um ar
De mistério e sensualidade
Claro brilho encantador!
Fazes devanear os enamorados
E enamoras os solitários
Oh, não! Nuvem ingrata!
Não me prives do frio calor
Meia lua inteira
Não esta noite!
Deixe-me cantar
Uma última serenata
E dormir em paz
as lágrimas quentes
desciam pelo rosto triste
misturavam-se ao vinho doce
caiam na boca
no sangue vermelho
espalhando-se pelo corpo
correndo nas veias
causando alívio, torpor
o torpor transformando-se em êxtase
lágrimas, vinho, sangue
lágrimas confusas
vinho barato
risos tristes
o êxtase convertendo-se em força
o sangue viscoso
escorrendo-lhe pelas mãos
o vidro indiferente tingido
mistura vermelha, quente,doce
de lágrimas, vinho, sangue
o sol poente
saúda a noite
com seus últimos
raios dourados
Quanto a mim
vejo a vida através de uma janela
o dia claro ofusca meu reflexo
no vidro transparente
e então, são pernas e pés
cansados
e não sou mais
só o claro, lá fora