quinta-feira, 22 de novembro de 2007

às vezes fico me sentindo estranha, como se eu olhasse no espelho e não soubesse mais quem eu sou. Quando fico assim, parece que eu nunca soube na verdade. E é estranho olhar num espelho e não se reconhecer. Parece que só me reconheço através de outros olhos, mas esses olhos não conseguem me mostrar a minha verdadeira imagem, e sim somente algumas impressões, alguns traços da minha fisionomia, traços que, a maioria, nem são autênticos, são só linhas de alguma maquiagem que uso para me proteger dos outros, ou de mim mesma. Mas é só maquiagem. Tenho medo de tentar tirar a maquiagem e não encontrar nada por baixo...

domingo, 18 de novembro de 2007

poeminha do contra

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

(Mário Quintana)

hoje acordei de bom humor

sexta-feira, 16 de novembro de 2007


às vezes, irremediavelmente,
sinto-me acorrentada a mim mesma
e o pior cativeiro
é aquele que infringimos
à próprira alma

Legião

Queria escrever alguma coisa, mas não sei o que. Sabe quando você sente uma necessidade de se expressar de algum modo, as idéias estão fervilhando na mente, mas elas não podem ser conduzidas até a boca ou os dedos. Elas se perdem em algum momento no meio do caminho, mais ou menos entre os olhos e o nariz. Talvez as idéias saiam somente através das lágrimas (ou de secreção nasal, que, no meu ponto de vista, é bem menos poético). É, bem melhor que saia pelas lágrimas mesmo. As lágrimas realmente são a vazão da alma. E vazão no sentido literal da palavra. É a liquidificação dos sentimentos não expressos, sufocados, inrustidos. E é isso que sou: um amontoado de sensações inrustidas, que não podem ser expressas. Sentimentos foram feitos para serem sentidos, não para ser falados ou escritos, senão seriam apenas palavras. E palavras podem ser ditsa ou escritas, mas não podem ser sentidas. Quem já sentiu um guarda-chuva ou uma bicicleta? Tá, tudo bem, podemos ter sentido a matéria tocando nosso corpo, mas não sei como é a sensação guarda-chuva. Deve ser meio molhada, nos dias de chuva. E uma sensação bicicleta deve ser meio rodante, nos dias de sol. Toda vez que eu disser, ou escrever, whathever, guarda-chuva ou bicicleta, você vai saber do que se trata. Mas quando eu escrever solidão ou tristeza, você pode ter uma idéia do que seja, mas nunca vai entender como me sinto. E por mais que eu tente te explicar, o que eu quero dizer não vai passar de uma vaga idéia, uma sombra da realidade, como são as sombras de Platão. Talvez as sombras de Platão signifiquem somente os sentimentos não expressos em sua filosofia. Ninguém consegue escrever uma sensação. OK, você pode me citar Shakespeare, mas nem ele escreveu um sentimentozinho que seja, ele os provocou no leitor, o que é bem diferente, pois a tristeza ou a paixão que ele despertou em mim pode (e é) diferente das que ele despertou em você.
(O mais legal é que "eu" e você" somos somente eu. Mas gosto disso).
Bom, o que eu quero com tudo isso? Nada. Na verdade só queria uma explicação racional por eu nunca conseguir escrever sobre mim e meus sentimentos. Incrível (e explêndido!) como conseguimos racionalizar com proposições lógicas tudo que pensamos. Agora, imersa no "calor da batalha", conseguiria te convencer de qualquer coisa. Duvida? Experimenta duvidar. Posso te mostrar, com a mesma paixão e veracidade, que Hitler estava certo, e que estava errado. Ou então que sim, os deuses eram astronautas, ou então que não, não existem seres extraterráqueos. Agora posso muita coisa, mas só aqui, quietinha, em frente ao meu computador, escutando uma banda argentina extinta em 1997 e pensando muitas coisas completamente inúteis (tanto quanto esse monte de palavrs idiotas).
A única coisa que não consigo é mostrar prs pessoas quem eu realmente sou. Talvez porque eu mesma não saiba a resposta dessa questão. A única coisa que eu sei, hoje, é que não tenho a mínima idéia de nada e que somente as baratas resistiriam a uma explosão nuclear em escala mundial (embora elas não resistam a um vigoroso pisão).
Queria escrever algo sobre o quanto ninguém se conhece ao certo, de o quanto somos máscaras atrás de máscaras, que, mesmo retiradas uma a uma, nunca chegam a uma face mestra, porque ela não existe. Queria escrever aqui meu nome, mas nõ consigo. Talvez devesse ser chamada de (plagiando o diabo) legião, porque somos muitos e muitas.
(Falei que queria escrever, mas não sabia o quê. Estava certa e sincera desde o começo).

segunda-feira, 12 de novembro de 2007


"O amor é o ridículo da vida. A gente procura nele uma pureza impossível, uma pureza que está sempre se pondo, indo embora. A vida veio e me levou com ela. Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga idéia de paraíso que nos persegue, bonita e breve, como as borboletas que só vivem 24 horas."
O amor é realmente o ridículo da vida
O ridículo de tudo
O ridículo


domingo, 4 de novembro de 2007

outros estados do ser

"Os grilos desmairam de madrugada
de tanto acalentar a noite.
O dia é para eles uma eternidade
no abismo neutro das ervas.
De tarde, com um palmo de sol,
as crianças foram ao rio se banhar
e uma delas se afogou.
Quando os homens procuravam o cadáver,
um menino gritou, com os olhos luzindo:
'Vocês não acham o afogado.
Saiu voando pelas águas
com uma asa branca e outra azul'"

José D, um louco.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

o passado

não há amnésia que possa acalmar o passado
nada passa, nunca; tudo que acontece é indelével
não se pode apagar nossa história, pode-se apenas contá-la mais uma vez, quem sabe revisá-la ou corrigi-la, para pior ou para melhor