
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
The Doors
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
HUIS CLOS
Da vida não se sai pela porta:só pela janela. Não se sai
bem da vida como não se sai
bem de paixões, jogatinas, drogas.
E é porque sabemos disso e não
por temer viver depois da morte
em plagas de Dante Goya ou Bosh
(essas, doce príncipe, cá estão)
que tão raramente nos matamos
a tempo: por não considerarmos
as saídas disponíveis dignas
de nós, que, em meio a fezes e urina
sangue e dor, nascemos para lendas
mares amores mortes serenas.
(Antonio cícero)
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Sábado:
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
asas
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
às vezes fico me sentindo estranha, como se eu olhasse no espelho e não soubesse mais quem eu sou. Quando fico assim, parece que eu nunca soube na verdade. E é estranho olhar num espelho e não se reconhecer. Parece que só me reconheço através de outros olhos, mas esses olhos não conseguem me mostrar a minha verdadeira imagem, e sim somente algumas impressões, alguns traços da minha fisionomia, traços que, a maioria, nem são autênticos, são só linhas de alguma maquiagem que uso para me proteger dos outros, ou de mim mesma. Mas é só maquiagem. Tenho medo de tentar tirar a maquiagem e não encontrar nada por baixo...
domingo, 18 de novembro de 2007
poeminha do contra
sexta-feira, 16 de novembro de 2007
Legião
Queria escrever alguma coisa, mas não sei o que. Sabe quando você sente uma necessidade de se expressar de algum modo, as idéias estão fervilhando na mente, mas elas não podem ser conduzidas até a boca ou os dedos. Elas se perdem em algum momento no meio do caminho, mais ou menos entre os olhos e o nariz. Talvez as idéias saiam somente através das lágrimas (ou de secreção nasal, que, no meu ponto de vista, é bem menos poético). É, bem melhor que saia pelas lágrimas mesmo. As lágrimas realmente são a vazão da alma. E vazão no sentido literal da palavra. É a liquidificação dos sentimentos não expressos, sufocados, inrustidos. E é isso que sou: um amontoado de sensações inrustidas, que não podem ser expressas. Sentimentos foram feitos para serem sentidos, não para ser falados ou escritos, senão seriam apenas palavras. E palavras podem ser ditsa ou escritas, mas não podem ser sentidas. Quem já sentiu um guarda-chuva ou uma bicicleta? Tá, tudo bem, podemos ter sentido a matéria tocando nosso corpo, mas não sei como é a sensação guarda-chuva. Deve ser meio molhada, nos dias de chuva. E uma sensação bicicleta deve ser meio rodante, nos dias de sol. Toda vez que eu disser, ou escrever, whathever, guarda-chuva ou bicicleta, você vai saber do que se trata. Mas quando eu escrever solidão ou tristeza, você pode ter uma idéia do que seja, mas nunca vai entender como me sinto. E por mais que eu tente te explicar, o que eu quero dizer não vai passar de uma vaga idéia, uma sombra da realidade, como são as sombras de Platão. Talvez as sombras de Platão signifiquem somente os sentimentos não expressos em sua filosofia. Ninguém consegue escrever uma sensação. OK, você pode me citar Shakespeare, mas nem ele escreveu um sentimentozinho que seja, ele os provocou no leitor, o que é bem diferente, pois a tristeza ou a paixão que ele despertou em mim pode (e é) diferente das que ele despertou em você.
(O mais legal é que "eu" e você" somos somente eu. Mas gosto disso).
Bom, o que eu quero com tudo isso? Nada. Na verdade só queria uma explicação racional por eu nunca conseguir escrever sobre mim e meus sentimentos. Incrível (e explêndido!) como conseguimos racionalizar com proposições lógicas tudo que pensamos. Agora, imersa no "calor da batalha", conseguiria te convencer de qualquer coisa. Duvida? Experimenta duvidar. Posso te mostrar, com a mesma paixão e veracidade, que Hitler estava certo, e que estava errado. Ou então que sim, os deuses eram astronautas, ou então que não, não existem seres extraterráqueos. Agora posso muita coisa, mas só aqui, quietinha, em frente ao meu computador, escutando uma banda argentina extinta em 1997 e pensando muitas coisas completamente inúteis (tanto quanto esse monte de palavrs idiotas).
A única coisa que não consigo é mostrar prs pessoas quem eu realmente sou. Talvez porque eu mesma não saiba a resposta dessa questão. A única coisa que eu sei, hoje, é que não tenho a mínima idéia de nada e que somente as baratas resistiriam a uma explosão nuclear em escala mundial (embora elas não resistam a um vigoroso pisão).
Queria escrever algo sobre o quanto ninguém se conhece ao certo, de o quanto somos máscaras atrás de máscaras, que, mesmo retiradas uma a uma, nunca chegam a uma face mestra, porque ela não existe. Queria escrever aqui meu nome, mas nõ consigo. Talvez devesse ser chamada de (plagiando o diabo) legião, porque somos muitos e muitas.
(Falei que queria escrever, mas não sabia o quê. Estava certa e sincera desde o começo).
(O mais legal é que "eu" e você" somos somente eu. Mas gosto disso).
Bom, o que eu quero com tudo isso? Nada. Na verdade só queria uma explicação racional por eu nunca conseguir escrever sobre mim e meus sentimentos. Incrível (e explêndido!) como conseguimos racionalizar com proposições lógicas tudo que pensamos. Agora, imersa no "calor da batalha", conseguiria te convencer de qualquer coisa. Duvida? Experimenta duvidar. Posso te mostrar, com a mesma paixão e veracidade, que Hitler estava certo, e que estava errado. Ou então que sim, os deuses eram astronautas, ou então que não, não existem seres extraterráqueos. Agora posso muita coisa, mas só aqui, quietinha, em frente ao meu computador, escutando uma banda argentina extinta em 1997 e pensando muitas coisas completamente inúteis (tanto quanto esse monte de palavrs idiotas).
A única coisa que não consigo é mostrar prs pessoas quem eu realmente sou. Talvez porque eu mesma não saiba a resposta dessa questão. A única coisa que eu sei, hoje, é que não tenho a mínima idéia de nada e que somente as baratas resistiriam a uma explosão nuclear em escala mundial (embora elas não resistam a um vigoroso pisão).
Queria escrever algo sobre o quanto ninguém se conhece ao certo, de o quanto somos máscaras atrás de máscaras, que, mesmo retiradas uma a uma, nunca chegam a uma face mestra, porque ela não existe. Queria escrever aqui meu nome, mas nõ consigo. Talvez devesse ser chamada de (plagiando o diabo) legião, porque somos muitos e muitas.
(Falei que queria escrever, mas não sabia o quê. Estava certa e sincera desde o começo).
segunda-feira, 12 de novembro de 2007

"O amor é o ridículo da vida. A gente procura nele uma pureza impossível, uma pureza que está sempre se pondo, indo embora. A vida veio e me levou com ela. Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga idéia de paraíso que nos persegue, bonita e breve, como as borboletas que só vivem 24 horas."
O amor é realmente o ridículo da vida
O ridículo de tudo
O ridículo
domingo, 4 de novembro de 2007
outros estados do ser
"Os grilos desmairam de madrugada 
de tanto acalentar a noite.
O dia é para eles uma eternidade
no abismo neutro das ervas.
De tarde, com um palmo de sol,
as crianças foram ao rio se banhar
e uma delas se afogou.
Quando os homens procuravam o cadáver,
um menino gritou, com os olhos luzindo:
'Vocês não acham o afogado.
Saiu voando pelas águas
com uma asa branca e outra azul'"
José D, um louco.

de tanto acalentar a noite.
O dia é para eles uma eternidade
no abismo neutro das ervas.
De tarde, com um palmo de sol,
as crianças foram ao rio se banhar
e uma delas se afogou.
Quando os homens procuravam o cadáver,
um menino gritou, com os olhos luzindo:
'Vocês não acham o afogado.
Saiu voando pelas águas
com uma asa branca e outra azul'"
José D, um louco.
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
o passado
não há amnésia que possa acalmar o passado
nada passa, nunca; tudo que acontece é indelével
não se pode apagar nossa história, pode-se apenas contá-la mais uma vez, quem sabe revisá-la ou corrigi-la, para pior ou para melhor
nada passa, nunca; tudo que acontece é indelével
não se pode apagar nossa história, pode-se apenas contá-la mais uma vez, quem sabe revisá-la ou corrigi-la, para pior ou para melhor
sábado, 27 de outubro de 2007
Sobra tanta falta...

Falta tanta coisa na minha janela
Como uma praia
Falta tanta coisa na memória
Como o rosto dela
Falta tanto tempo no relógio
Quanto uma semana
Sobra tanta falta de paciência
Que me desespero
Sobram tantas meias-verdades
Que guardo pra mim mesmo
Sobram tantos medos
Que nem me protejo mais
Sobra tanto espaço
Dentro do abraço
Falta tanta coisa pra dizer
Que nunca consigo
Sei lá,
Se o que me deu foi dado
Sei lá,
Se o que me deu já é meu
Sei lá,
Se o que me deu foi dado ou se é seu
Sei lá... sei lá... sei lá....
Vai saber,
Se o que me deu, quem sabe?
Vai saber,
Quem souber me salva
Vai saber,
O que me deu, quem sabe?
Vai saber,
Quem souber me salva...
Como uma praia
Falta tanta coisa na memória
Como o rosto dela
Falta tanto tempo no relógio
Quanto uma semana
Sobra tanta falta de paciência
Que me desespero
Sobram tantas meias-verdades
Que guardo pra mim mesmo
Sobram tantos medos
Que nem me protejo mais
Sobra tanto espaço
Dentro do abraço
Falta tanta coisa pra dizer
Que nunca consigo
Sei lá,
Se o que me deu foi dado
Sei lá,
Se o que me deu já é meu
Sei lá,
Se o que me deu foi dado ou se é seu
Sei lá... sei lá... sei lá....
Vai saber,
Se o que me deu, quem sabe?
Vai saber,
Quem souber me salva
Vai saber,
O que me deu, quem sabe?
Vai saber,
Quem souber me salva...
domingo, 30 de setembro de 2007
Astronauta, tá sentindo falta da Terra?
que falta que essa Terra te faz?
a gente aqui ainda continua em guerra
olhando aí pra lua e implorando por paz
então me diz, por que você quer voltar?
você não tá feliz onde você está?
observando tudo a distância
como a Terra é pequinininha
como é grande a nossa ignorância
como a nossa vida é mesquinha
Como a nossa vida é mesquinha... a gente se preocupa com tantas coisas inúteis! com coisinhas, que não somam nada, que pelo contrário, subtraem, dividem, sugam. Sugam, levam embora o pouco que a gente tem de bom e no lugar deixam somente um vaziozão. Aí a gente acaba esquecendo as coisas que são importantes de verdade. A gente acaba se esquecendo... da gente! Acaba que nem sabe mais como a gente é de verdade, do que gosta, do que não gosta, como se é! A gente se esquece do que importa.
Ultimamente eu tenho me preocupado com coisas que não sou eu, com coisas que eu não ligo! Tenho vivido mais pa ra as outras pessoas do que pra mim mesma, tenho andado tentando provas tanta coisa pra tanta gente... e me sinto uma estúpida! Cada vez mais burra... mais "todo mundo", e cada vez menos "eu". E às vezes (ou sempre) é difícil saber que eu é o "mor". Na verdade até acredito que somos muitos. Mas, apesar dessa legião de "eus", existe algo que é comum a todos eles, e isso é a essência de cada um, é o comum a todos os meus "eus" e o que os diferencia dos "eus" das outras pessoas. O complicado é achar o MMC de tudo isso e o triste é pensar que esquecide tentar encontrar e o mais triste ainda é pensar que tenho me importado com o que as pessoas pensam sobre meus atos. Isso é o mais triste. Pessoas, como todas as pessoas, que dizem "tudo bom?" não pra saber se está tudo bem comigo, mas pra conversar sobre um assunto qualquer, sobre a matéria da prova ou o fim da novela, como eu mesma faço todo o tempo. Mas isso é o normal, nem eu quero saber das neuras de ninguém. O estranho é eu me importar com o que elas pensam de mim! elas, que nem sabem o que eu penso!
Agora me deu uma vontade de voltar a ser o que eu era. É bom voltar. Só não sei se ainda sou aquela pessoa... não sei aquilo era a minha essência...
Vai entender né!
Gente complicada.
Talvez por ser complicada seja gente.
Ou não!
que falta que essa Terra te faz?
a gente aqui ainda continua em guerra
olhando aí pra lua e implorando por paz
então me diz, por que você quer voltar?
você não tá feliz onde você está?
observando tudo a distância
como a Terra é pequinininha
como é grande a nossa ignorância
como a nossa vida é mesquinha

Como a nossa vida é mesquinha... a gente se preocupa com tantas coisas inúteis! com coisinhas, que não somam nada, que pelo contrário, subtraem, dividem, sugam. Sugam, levam embora o pouco que a gente tem de bom e no lugar deixam somente um vaziozão. Aí a gente acaba esquecendo as coisas que são importantes de verdade. A gente acaba se esquecendo... da gente! Acaba que nem sabe mais como a gente é de verdade, do que gosta, do que não gosta, como se é! A gente se esquece do que importa.
Ultimamente eu tenho me preocupado com coisas que não sou eu, com coisas que eu não ligo! Tenho vivido mais pa ra as outras pessoas do que pra mim mesma, tenho andado tentando provas tanta coisa pra tanta gente... e me sinto uma estúpida! Cada vez mais burra... mais "todo mundo", e cada vez menos "eu". E às vezes (ou sempre) é difícil saber que eu é o "mor". Na verdade até acredito que somos muitos. Mas, apesar dessa legião de "eus", existe algo que é comum a todos eles, e isso é a essência de cada um, é o comum a todos os meus "eus" e o que os diferencia dos "eus" das outras pessoas. O complicado é achar o MMC de tudo isso e o triste é pensar que esquecide tentar encontrar e o mais triste ainda é pensar que tenho me importado com o que as pessoas pensam sobre meus atos. Isso é o mais triste. Pessoas, como todas as pessoas, que dizem "tudo bom?" não pra saber se está tudo bem comigo, mas pra conversar sobre um assunto qualquer, sobre a matéria da prova ou o fim da novela, como eu mesma faço todo o tempo. Mas isso é o normal, nem eu quero saber das neuras de ninguém. O estranho é eu me importar com o que elas pensam de mim! elas, que nem sabem o que eu penso!
Agora me deu uma vontade de voltar a ser o que eu era. É bom voltar. Só não sei se ainda sou aquela pessoa... não sei aquilo era a minha essência...
Vai entender né!
Gente complicada.
Talvez por ser complicada seja gente.
Ou não!
domingo, 26 de agosto de 2007
Não fuja da dor

O psicólogo americano Steven Hayes, de 57 anos, está causando alvoroço entre seus colegas de profissão. Em seu novo livro, Saia de Sua Mente e Entre em Sua Vida, publicado no fim do ano passado nos Estados Unidos, ele rompe com um método em voga na psicologia há trinta anos: a terapia cognitiva, que instrui pacientes a se livrar de seus pensamentos e sentimentos negativos. Hayes diz que, ao contrário, é preciso aceitar a dor e o sofrimento como parte da vida. Suas teorias causam especial impacto no tratamento de distúrbios como a depressão e os transtornos de ansiedade. Autor de 27 livros e centenas de artigos científicos, nos últimos dez anos Hayes recebeu mais de 5 milhões de dólares do governo americano para avançar em seus estudos. Ex-presidente da Associação de Terapias Cognitivas Comportamentais, ele está há onze anos sem ter um ataque de síndrome do pânico, que o aflige desde os 29 anos. Hayes concedeu a seguinte entrevista a VEJA de sua casa no estado de Nevada, onde mora com a mulher, a psicóloga gaúcha Jacqueline Pistorello, e três de seus quatro filhos.
Veja – Por que o senhor diz que felicidade não é normal?Hayes – Muita gente tem um conceito distorcido de felicidade. O mais comum é vê-la como ausência completa de dor e como uma seqüência de momentos nos quais a pessoa se sente bem. É fácil preencher a vida com uma série de episódios efêmeros de bem-estar, como sair com os amigos ou beber um bom vinho. São diversões que podem trazer satisfação momentânea, mas na manhã seguinte a vida não estará melhor e não haverá como evitar que aconteçam coisas ruins. Todos sabemos que um dia vamos morrer, todos nós lembramos da perda de um amigo querido, de algum erro que cometemos, de dramas, traições ou doenças. A diferença entre o homem e outras criaturas está na capacidade que ele tem de usar suas habilidades cognitivas para remoer os erros e infortúnios do passado e temer as incertezas do futuro. Por isso o normal é sentir dor e sofrer.
Veja – Qual o problema em tentar evitar a dor?Hayes – Ao fazermos isso, acabamos criando uma série de medos e fobias, que aumentam ainda mais o sofrimento. O conceito de que felicidade é como a ausência de sentimentos ruins nos leva a reagir à dor de uma maneira que limita nossa vida. Ou seja, que só piora as coisas. Isso nos deixa menos abertos a estabelecer novos relacionamentos, leva-nos a evitar lugares que tragam lembranças do passado ou situações desagradáveis. Dessa forma, perdemos a oportunidade de um envolvimento real com o que acontece a nossa volta. Isso também nos impede de ir atrás do que realmente queremos. Em casos extremos, como na depressão, quem tenta a todo custo evitar a dor começa a ficar entorpecido. Passa a não sentir nada, apenas um vazio profundo.
Veja – O suicídio é uma dessas formas de fuga da dor ou essa idéia é apenas um lugar-comum?Hayes – Trata-se da explicação mais plausível na maior parte dos casos. Muitos suicídios são um último esforço para acabar com a própria dor. Em seis de cada dez casos os suicidas deixam escrito, em bilhetes, que não agüentavam mais sofrer. Há uma mensagem nisso tudo: evitar os sentimentos dolorosos é rejeitar a própria vida. Aceitá-los como parte da existência é a melhor atitude. Até onde sabemos, depois de mortos não sentimos mais nada. E não há vantagem nisso.
Veja – Quando encostamos a mão numa panela quente, o reflexo natural é afastá-la imediatamente. Não está na natureza humana evitar a dor?Hayes – Em termos. O problema é que estamos vivendo uma espécie de ditadura da felicidade. Aceitar a dor sempre fez parte dos costumes e tradições humanas. Hoje, pela primeira vez na história da humanidade, existem tecnologia, remédios e terapias para acabar com a dor. Isso não é lá muito sábio. Ao buscar um desses recursos, corre-se o risco de cometer um erro que tornará aquela dor inevitável, transformando a vida em uma espiral infinita de sofrimento.
Veja – O senhor pode dar um exemplo?Hayes – Imagine alguém que tenha sido traído pelo parceiro no passado e, por isso, só consegue ter relacionamentos superficiais, em que o risco de se magoar é pequeno. Esses relacionamentos servirão para distrair ou para aplacar a solidão, mas nunca atingirão o nível de envolvimento e intimidade desejado. Nesse caso, a persistência do medo de sentir dor acaba tendo um efeito permanente na vida do indivíduo. É como se sua mente sabotasse sua própria vida.
Veja – Que tipo de felicidade se deve buscar?Hayes – A pessoa deve definir o que realmente quer da vida a longo prazo, descobrir quais são seus próprios valores e viver de acordo com eles. Isso é ser feliz. Para alguns, significa ajudar os outros e sentir-se útil para a sociedade. De nada adianta querer se sentir feliz o tempo todo. Vamos imaginar uma situação de dor extrema: a morte iminente da mãe. O filho está a seu lado para dizer quanto a ama e ouvir o que ela tem a lhe falar. É óbvio que esse não é um momento feliz. Tem, no entanto, um significado valioso para a vida daquele filho. Imaginemos uma outra cena, de aparente felicidade: um homem rindo, dançando, tomando um bom drinque e, no fim da festa, indo para casa com uma loira escultural. À primeira vista, ele está feliz. E se eu disser que essa é a décima vez que ele se embebeda neste mês? E se disser que ele está bebendo para esquecer os problemas em casa, que acabou de conhecer a mulher com quem saiu e não vai se lembrar de nada no dia seguinte? Uma situação aparentemente prazerosa pode ser destrutiva e não acrescentar nada, em termos emocionais, a seus protagonistas. Nosso conceito de felicidade está ligado a emoções de curto prazo. Essa correlação nunca foi verdadeira.
Veja – Como essa idéia pode ser transformada em tratamento psicológico?Hayes – Uma etapa da terapia de aceitação e comprometimento, que defendo no meu último livro, consiste em ajudar os pacientes a encontrar seus valores e objetivos. Um dos exercícios que proponho é que eles escrevam seu próprio epitáfio, uma frase que considerem digna de ser colocada em seu túmulo. O resultado em geral é algo próximo de "aqui jaz Sally, que amava muito seus filhos", não "aqui jaz Sally, que tinha uma casa enorme" ou "aqui jaz Sally, que sofria de ansiedade". Ou seja, queremos que nossa vida seja lembrada pelos valores que seguimos. As artimanhas que usamos para não sentir dor nos desviam de nossos objetivos. E é por eles que vale a pena viver. Nosso trabalho é ir na direção oposta à de nossos medos. Tentamos conseguir, com muito cuidado, fazer o paciente explorar a tristeza, a depressão e a ansiedade que ele sente, para percebê-las e observá-las.
Veja – Não é um processo muito arriscado?Hayes – O que nós propomos não é tentar mudar os pensamentos ruins, mas que eles sejam aceitos e deixem de influenciar o comportamento do paciente. O processo consiste em se distanciar aos poucos de todos os pensamentos, tantos os negativos como os positivos. O resultado é que as obsessões vão se diluindo. Em um caso grave, obtém-se sucesso quando o paciente começa a ter consciência do que o aflige. Um paciente psicótico dá sinais de melhora quando muda o pensamento "eu sou a rainha de Sabá" para "eu estou pensando que sou a rainha de Sabá". O segundo passo é o paciente descobrir que tipo de vida quer ter e tentar conquistá-lo, sem permitir que o medo de sentir dor o desvie de seus objetivos.
Veja – Que técnicas o senhor utiliza?Hayes – Eu ensino os pacientes a identificar seus sentimentos e a tratá-los como se fossem objetos. Uma das técnicas consiste em resumir os pensamentos ruins em uma única palavra e dizê-la alto e rápido por 45 segundos. Aos poucos, a palavra perde seu sentido e o paciente começa a ouvir apenas um ruído. Com isso, ele se dá conta de que não vale a pena se estressar ou acabar com sua vida por causa daquela palavra, daquele ruído. Outras vezes, pedimos para o paciente cantar seus pensamentos negativos ou repeti-los imitando a voz de um personagem de desenho animado. Funciona também na voz de um político impopular. O propósito não é ridicularizar o paciente, mas fazê-lo notar que se trata apenas de um pensamento. Essa técnica vale para todo tipo de problema, desde memórias desagradáveis, medos, traições, culpa até dependência de substâncias químicas.
Veja – Em quanto tempo os resultados aparecem?Hayes – Em alguns casos, em poucas horas. Certa vez obtive bons resultados com psicóticos em apenas três dias. Com pessoas que sofrem de alcoolismo ou dependência química são necessárias ao menos 25 sessões. Muitas vezes, a mente insiste em não cooperar. Quando pensamos em algo, a tendência é julgarmos o pensamento como certo ou errado. O que eu tento fazer é sair desse caminho óbvio. Por isso a mente protesta.
Veja – Quase 20% da população mundial terá depressão em algum momento da vida. Por que essa doença se tornou tão comum?Hayes – Não é só a depressão. Nas últimas décadas assistimos ao rápido crescimento de uma série de doenças psicológicas. Isso inclui desde os transtornos de humor, como a depressão e o distúrbio bipolar, até os de ansiedade, como a síndrome do pânico, o transtorno obsessivo-compulsivo e o stress pós-traumático. A explicação é que não sabemos mais lidar com nossas experiências negativas. Muitos depressivos pioram em decorrência de um processo que chamamos de rejeição dos sentimentos: você tenta não sentir o que está sentindo, e o resultado é que sente mais ainda.
Veja – Por que isso ocorre com mais freqüência na atualidade?Hayes – No mundo moderno esse processo é intensificado por dois motivos. O primeiro é que, com a tecnologia fazendo tudo mais fácil, somos pressionados a acertar sempre e a conseguir tudo o que queremos. Com isso, temos dificuldade em lidar com nossos limites e com os percalços do cotidiano. No passado, as pessoas aprendiam a se decepcionar e a aceitar suas fraquezas de maneira mais saudável. Basta olhar para as tradições religiosas que antes tinham grande aceitação: os fiéis jejuavam porque essa era uma forma de simular a dor dos antepassados ou de um salvador. O segundo motivo é a ditadura da felicidade superficial, que nada tem a ver com uma vida repleta de sentidos. Hoje você diz às crianças que elas devem se sentir bem de dia e de noite, e se elas não conseguem é porque há algo errado. O resultado é que elas se tornam incapazes de lidar com o desconforto de uma maneira saudável. No futuro, essas crianças serão mais vulneráveis a problemas de saúde mental.
Veja – O senhor está dizendo que a tendência para querer evitar o sofrimento a qualquer custo é o único fator de risco para a depressão?Hayes – Não. O histórico familiar conta muito. A propensão à doença é maior quando há casos de depressão, transtornos de ansiedade ou alcoolismo na família. Esses três distúrbios andam juntos, e na raiz de todos eles está a dificuldade em lidar com a dor. Em geral as mulheres tendem a ter mais depressão que os homens. Por uma questão cultural e educacional, elas são estimuladas a agir passivamente ao lidar com emoções negativas.
Veja – Como distinguir depressão de tristeza?Hayes – Os sintomas da depressão avançam por um período maior, no mínimo por semanas. Quando está deprimido, o paciente não quer sentir mais nada. A metáfora usada é a de um buraco que se abre no chão e suga todas as suas emoções e energias. Um dos principais sintomas é a falta total de interesse na vida. O indivíduo não quer mais saber de comida, sexo ou qualquer atividade que costumava lhe interessar.
Veja – O que o senhor acha do uso de remédios antidepressivos em combinação com a terapia?Hayes – Tenho algumas ressalvas aos remédios que não tiveram sua eficácia comprovada, como alguns antidepressivos. A indústria faz bilhões de dólares com esses remédios, e seus resultados muitas vezes são pífios. O Prozac, por exemplo, foi anunciado como uma revolução no tratamento da depressão. Em uma pesquisa recente, ele teve nos voluntários um efeito apenas um pouco melhor do que o de placebo. Com resultados como esses, o melhor seria tomar pílulas de açúcar em vez de antidepressivos. Outras vezes, combinar remédio e terapia é improdutivo, porque a droga, além de causar dependência, interfere no que o paciente faz no consultório. Tranqüilizantes contra a ansiedade, por exemplo, prejudicam os efeitos das terapias de exposição, aquelas em que o paciente enfrenta situações nas quais é obrigado a vencer os próprios medos.
Veja – Por que o senhor diz que felicidade não é normal?Hayes – Muita gente tem um conceito distorcido de felicidade. O mais comum é vê-la como ausência completa de dor e como uma seqüência de momentos nos quais a pessoa se sente bem. É fácil preencher a vida com uma série de episódios efêmeros de bem-estar, como sair com os amigos ou beber um bom vinho. São diversões que podem trazer satisfação momentânea, mas na manhã seguinte a vida não estará melhor e não haverá como evitar que aconteçam coisas ruins. Todos sabemos que um dia vamos morrer, todos nós lembramos da perda de um amigo querido, de algum erro que cometemos, de dramas, traições ou doenças. A diferença entre o homem e outras criaturas está na capacidade que ele tem de usar suas habilidades cognitivas para remoer os erros e infortúnios do passado e temer as incertezas do futuro. Por isso o normal é sentir dor e sofrer.
Veja – Qual o problema em tentar evitar a dor?Hayes – Ao fazermos isso, acabamos criando uma série de medos e fobias, que aumentam ainda mais o sofrimento. O conceito de que felicidade é como a ausência de sentimentos ruins nos leva a reagir à dor de uma maneira que limita nossa vida. Ou seja, que só piora as coisas. Isso nos deixa menos abertos a estabelecer novos relacionamentos, leva-nos a evitar lugares que tragam lembranças do passado ou situações desagradáveis. Dessa forma, perdemos a oportunidade de um envolvimento real com o que acontece a nossa volta. Isso também nos impede de ir atrás do que realmente queremos. Em casos extremos, como na depressão, quem tenta a todo custo evitar a dor começa a ficar entorpecido. Passa a não sentir nada, apenas um vazio profundo.
Veja – O suicídio é uma dessas formas de fuga da dor ou essa idéia é apenas um lugar-comum?Hayes – Trata-se da explicação mais plausível na maior parte dos casos. Muitos suicídios são um último esforço para acabar com a própria dor. Em seis de cada dez casos os suicidas deixam escrito, em bilhetes, que não agüentavam mais sofrer. Há uma mensagem nisso tudo: evitar os sentimentos dolorosos é rejeitar a própria vida. Aceitá-los como parte da existência é a melhor atitude. Até onde sabemos, depois de mortos não sentimos mais nada. E não há vantagem nisso.
Veja – Quando encostamos a mão numa panela quente, o reflexo natural é afastá-la imediatamente. Não está na natureza humana evitar a dor?Hayes – Em termos. O problema é que estamos vivendo uma espécie de ditadura da felicidade. Aceitar a dor sempre fez parte dos costumes e tradições humanas. Hoje, pela primeira vez na história da humanidade, existem tecnologia, remédios e terapias para acabar com a dor. Isso não é lá muito sábio. Ao buscar um desses recursos, corre-se o risco de cometer um erro que tornará aquela dor inevitável, transformando a vida em uma espiral infinita de sofrimento.
Veja – O senhor pode dar um exemplo?Hayes – Imagine alguém que tenha sido traído pelo parceiro no passado e, por isso, só consegue ter relacionamentos superficiais, em que o risco de se magoar é pequeno. Esses relacionamentos servirão para distrair ou para aplacar a solidão, mas nunca atingirão o nível de envolvimento e intimidade desejado. Nesse caso, a persistência do medo de sentir dor acaba tendo um efeito permanente na vida do indivíduo. É como se sua mente sabotasse sua própria vida.
Veja – Que tipo de felicidade se deve buscar?Hayes – A pessoa deve definir o que realmente quer da vida a longo prazo, descobrir quais são seus próprios valores e viver de acordo com eles. Isso é ser feliz. Para alguns, significa ajudar os outros e sentir-se útil para a sociedade. De nada adianta querer se sentir feliz o tempo todo. Vamos imaginar uma situação de dor extrema: a morte iminente da mãe. O filho está a seu lado para dizer quanto a ama e ouvir o que ela tem a lhe falar. É óbvio que esse não é um momento feliz. Tem, no entanto, um significado valioso para a vida daquele filho. Imaginemos uma outra cena, de aparente felicidade: um homem rindo, dançando, tomando um bom drinque e, no fim da festa, indo para casa com uma loira escultural. À primeira vista, ele está feliz. E se eu disser que essa é a décima vez que ele se embebeda neste mês? E se disser que ele está bebendo para esquecer os problemas em casa, que acabou de conhecer a mulher com quem saiu e não vai se lembrar de nada no dia seguinte? Uma situação aparentemente prazerosa pode ser destrutiva e não acrescentar nada, em termos emocionais, a seus protagonistas. Nosso conceito de felicidade está ligado a emoções de curto prazo. Essa correlação nunca foi verdadeira.
Veja – Como essa idéia pode ser transformada em tratamento psicológico?Hayes – Uma etapa da terapia de aceitação e comprometimento, que defendo no meu último livro, consiste em ajudar os pacientes a encontrar seus valores e objetivos. Um dos exercícios que proponho é que eles escrevam seu próprio epitáfio, uma frase que considerem digna de ser colocada em seu túmulo. O resultado em geral é algo próximo de "aqui jaz Sally, que amava muito seus filhos", não "aqui jaz Sally, que tinha uma casa enorme" ou "aqui jaz Sally, que sofria de ansiedade". Ou seja, queremos que nossa vida seja lembrada pelos valores que seguimos. As artimanhas que usamos para não sentir dor nos desviam de nossos objetivos. E é por eles que vale a pena viver. Nosso trabalho é ir na direção oposta à de nossos medos. Tentamos conseguir, com muito cuidado, fazer o paciente explorar a tristeza, a depressão e a ansiedade que ele sente, para percebê-las e observá-las.
Veja – Não é um processo muito arriscado?Hayes – O que nós propomos não é tentar mudar os pensamentos ruins, mas que eles sejam aceitos e deixem de influenciar o comportamento do paciente. O processo consiste em se distanciar aos poucos de todos os pensamentos, tantos os negativos como os positivos. O resultado é que as obsessões vão se diluindo. Em um caso grave, obtém-se sucesso quando o paciente começa a ter consciência do que o aflige. Um paciente psicótico dá sinais de melhora quando muda o pensamento "eu sou a rainha de Sabá" para "eu estou pensando que sou a rainha de Sabá". O segundo passo é o paciente descobrir que tipo de vida quer ter e tentar conquistá-lo, sem permitir que o medo de sentir dor o desvie de seus objetivos.
Veja – Que técnicas o senhor utiliza?Hayes – Eu ensino os pacientes a identificar seus sentimentos e a tratá-los como se fossem objetos. Uma das técnicas consiste em resumir os pensamentos ruins em uma única palavra e dizê-la alto e rápido por 45 segundos. Aos poucos, a palavra perde seu sentido e o paciente começa a ouvir apenas um ruído. Com isso, ele se dá conta de que não vale a pena se estressar ou acabar com sua vida por causa daquela palavra, daquele ruído. Outras vezes, pedimos para o paciente cantar seus pensamentos negativos ou repeti-los imitando a voz de um personagem de desenho animado. Funciona também na voz de um político impopular. O propósito não é ridicularizar o paciente, mas fazê-lo notar que se trata apenas de um pensamento. Essa técnica vale para todo tipo de problema, desde memórias desagradáveis, medos, traições, culpa até dependência de substâncias químicas.
Veja – Em quanto tempo os resultados aparecem?Hayes – Em alguns casos, em poucas horas. Certa vez obtive bons resultados com psicóticos em apenas três dias. Com pessoas que sofrem de alcoolismo ou dependência química são necessárias ao menos 25 sessões. Muitas vezes, a mente insiste em não cooperar. Quando pensamos em algo, a tendência é julgarmos o pensamento como certo ou errado. O que eu tento fazer é sair desse caminho óbvio. Por isso a mente protesta.
Veja – Quase 20% da população mundial terá depressão em algum momento da vida. Por que essa doença se tornou tão comum?Hayes – Não é só a depressão. Nas últimas décadas assistimos ao rápido crescimento de uma série de doenças psicológicas. Isso inclui desde os transtornos de humor, como a depressão e o distúrbio bipolar, até os de ansiedade, como a síndrome do pânico, o transtorno obsessivo-compulsivo e o stress pós-traumático. A explicação é que não sabemos mais lidar com nossas experiências negativas. Muitos depressivos pioram em decorrência de um processo que chamamos de rejeição dos sentimentos: você tenta não sentir o que está sentindo, e o resultado é que sente mais ainda.
Veja – Por que isso ocorre com mais freqüência na atualidade?Hayes – No mundo moderno esse processo é intensificado por dois motivos. O primeiro é que, com a tecnologia fazendo tudo mais fácil, somos pressionados a acertar sempre e a conseguir tudo o que queremos. Com isso, temos dificuldade em lidar com nossos limites e com os percalços do cotidiano. No passado, as pessoas aprendiam a se decepcionar e a aceitar suas fraquezas de maneira mais saudável. Basta olhar para as tradições religiosas que antes tinham grande aceitação: os fiéis jejuavam porque essa era uma forma de simular a dor dos antepassados ou de um salvador. O segundo motivo é a ditadura da felicidade superficial, que nada tem a ver com uma vida repleta de sentidos. Hoje você diz às crianças que elas devem se sentir bem de dia e de noite, e se elas não conseguem é porque há algo errado. O resultado é que elas se tornam incapazes de lidar com o desconforto de uma maneira saudável. No futuro, essas crianças serão mais vulneráveis a problemas de saúde mental.
Veja – O senhor está dizendo que a tendência para querer evitar o sofrimento a qualquer custo é o único fator de risco para a depressão?Hayes – Não. O histórico familiar conta muito. A propensão à doença é maior quando há casos de depressão, transtornos de ansiedade ou alcoolismo na família. Esses três distúrbios andam juntos, e na raiz de todos eles está a dificuldade em lidar com a dor. Em geral as mulheres tendem a ter mais depressão que os homens. Por uma questão cultural e educacional, elas são estimuladas a agir passivamente ao lidar com emoções negativas.
Veja – Como distinguir depressão de tristeza?Hayes – Os sintomas da depressão avançam por um período maior, no mínimo por semanas. Quando está deprimido, o paciente não quer sentir mais nada. A metáfora usada é a de um buraco que se abre no chão e suga todas as suas emoções e energias. Um dos principais sintomas é a falta total de interesse na vida. O indivíduo não quer mais saber de comida, sexo ou qualquer atividade que costumava lhe interessar.
Veja – O que o senhor acha do uso de remédios antidepressivos em combinação com a terapia?Hayes – Tenho algumas ressalvas aos remédios que não tiveram sua eficácia comprovada, como alguns antidepressivos. A indústria faz bilhões de dólares com esses remédios, e seus resultados muitas vezes são pífios. O Prozac, por exemplo, foi anunciado como uma revolução no tratamento da depressão. Em uma pesquisa recente, ele teve nos voluntários um efeito apenas um pouco melhor do que o de placebo. Com resultados como esses, o melhor seria tomar pílulas de açúcar em vez de antidepressivos. Outras vezes, combinar remédio e terapia é improdutivo, porque a droga, além de causar dependência, interfere no que o paciente faz no consultório. Tranqüilizantes contra a ansiedade, por exemplo, prejudicam os efeitos das terapias de exposição, aquelas em que o paciente enfrenta situações nas quais é obrigado a vencer os próprios medos.
segunda-feira, 30 de julho de 2007
Bloco do eu sozinho

Algumas vezes passam coisas pela minha cabeça que eu queria conseguir (ou devesse conseguir) colocar pra fora, conseguir tirar de mim certos pensamentos, queria simplesmente falar sobre eles numa verborragia louca. Mas eu não consigo. Nem escrever aqui sobre eles eu consigo, talvez pq me irrite demais ficar pensando essas coisas. Uma vez me falaram que minha cabeça é uma bosta, e ela é mesmo... não que minha caixa craniana esteja preenchida por cocô ao invés de neurônios e neuróglias e artérias e veias, mas pq as vezes penso coisas tão idiotas, encano com coisas tão inúteis, fico mal por problemas que nem existem... e não consigo deixar de me desanimar por certas coisas. Talvez pq eu não enxergue as coisas direito, por mais que as veja, ou então pq imagine ver oq não existe, ou ainda pq delego causas secretas a atitudes inocentes, simplesmente não sei. Não sei, mas não consigo me sentir bem.
acho que preciso de um psicólogo. ou de um namorado hauaha. é,sou mais a segunda opção mesmo.
acho que preciso de um psicólogo. ou de um namorado hauaha. é,sou mais a segunda opção mesmo.
é, nunca consigo me sentir bem comigo mesmo por muito tempo. e eu odeio isso, às vezes eu me odeio...
como dizem, sou minha melhor e minha pior companhia e meu mais terrível inimigo.
quarta-feira, 25 de julho de 2007
Yo

Tão difícil falar de mim mesma (ou yo, em espanhol), na verdade é estranho, e eu sempre acabo deixando isso de lado. E tá me fazendo uma falta fazer uma limpeza na chaminé: falar sobre mim, sobre o que eu gosto, sobre o que eu não gosto, o que eu quero, o que eu não quero, reclamar um pouco, reclamar muito, falar pra alguém que me ouça de verdade, e não simplesmente deixe que eu fale sozinha à vontade, isso posso muito bem fazer.. sozinha! tem muita coisa confusa na minha cabeça, eu na maioria das vezes nem sei mais quem eu sou, me culpo de tudo, tenho raiva de mim pelas coisas que acontecem... e não consigo saber se tenho culpa ou não! Há algum tempo, perdi a mania de me culpar por tudo. Não, o tsunami e a fome na áfrica não são minha culpa, mas tbm não consegui me livrar completamente dela e não sei se os meninos não me chamaram pro churras de hoje por algo que eu fiz... e se foi isso, foi pq eu não sou uma pessoa tão legal assim qto eu pensava, pq "fazer" eu não fiz nada, mas talvez não consiga ser tão "querida" qto eu queria que fosse... não só pelos meninos, mas por outros motivos e pessoas. Tá vendo como é??? minha cabeça é uma merda hauahua. Existem pessoas que não ligam pra nada, simplesmente. Eu não,sou daquelas que são atormentadas poor qualquer coisa, por mais insignificante que seja.
Queria saber como agir, sempre. Mas não só "ter uma atitude" (pq tem vezes que nem isso eu tenho), mas conseguir fazer a coisa certa, falar a coisa certa. Eu sei que ninguém sabe isso, que ninguém pode ser assim, mas eu me cobro demais, talvez pq faça sempre o oposto do que acho ideal. Parece que tudo que falo ou faço tá errado... ou mais hauahua
Ah sei lá. Vai entender. Minha cabeça é uma bagunça... e que bagunça, é um caos!
Queria saber como agir, sempre. Mas não só "ter uma atitude" (pq tem vezes que nem isso eu tenho), mas conseguir fazer a coisa certa, falar a coisa certa. Eu sei que ninguém sabe isso, que ninguém pode ser assim, mas eu me cobro demais, talvez pq faça sempre o oposto do que acho ideal. Parece que tudo que falo ou faço tá errado... ou mais hauahua
Ah sei lá. Vai entender. Minha cabeça é uma bagunça... e que bagunça, é um caos!
segunda-feira, 23 de julho de 2007
Eu Não Sei Na Verdade Quem Eu Sou

"Eu não sei na verdade quem eu sou
já tentei calcular o meu valor
Mas sempre encontro sorriso e o meu paraíso é onde
estou
Por que a gente é desse jeito?
criando conceito pra tudo que restou
Meninas... são bruxas e fadas
Palhaço é um homem todo pintado de piadas
Céu azul é o telhado do mundo inteiro
Sonho é uma coisa que fica dentro do meu travesseiro
Eu não sei na verdade quem eu sou
Já tentei calcular o meu valor
E sempre encontro sorriso... e o meu paraíso é onde
estou
Eu não sei... na verdade quem eu sou
Perguntar... da onde veio a vida
por onde entrei... deve haver uma saída
e tudo fica sustentado... pela fé
Na verdade ninguém... sabe o que é
Velhinhos são crianças nascidas faz tempo
com água e farinha colo figurinha e foto em documento
Escola! É onde a gente aprende palavrão...
Tambor no meu peito faz o batuque do meu coração
Mas eu não sei na verdade quem eu sou
Já tentei calcular o meu valor
E sempre encontro sorriso... e o meu paraíso é onde
estou
Eu não sei... na verdade quem eu sou
Perceber que a cada minuto
tem um olho chorando de alegria e outro chorando de
luto
tem louco pulando o muro, tem corpo pegando doença
tem gente trepando no escuro, tem gente sentido
ausência
Meninas... são bruxas e fadas
Palhaço é um homem todo pintado de piadas
Céu azul é o telhado do mundo inteiro
Sonho é uma coisa que fica dentro do meu travesseiro
Mas eu não sei na verdade quem eu sou
Já tentei caular o meu valor
Mas sempre encontro sorriso e o meu paraíso é onde
estou
já tentei calcular o meu valor
Mas sempre encontro sorriso e o meu paraíso é onde
estou
Por que a gente é desse jeito?
criando conceito pra tudo que restou
Meninas... são bruxas e fadas
Palhaço é um homem todo pintado de piadas
Céu azul é o telhado do mundo inteiro
Sonho é uma coisa que fica dentro do meu travesseiro
Eu não sei na verdade quem eu sou
Já tentei calcular o meu valor
E sempre encontro sorriso... e o meu paraíso é onde
estou
Eu não sei... na verdade quem eu sou
Perguntar... da onde veio a vida
por onde entrei... deve haver uma saída
e tudo fica sustentado... pela fé
Na verdade ninguém... sabe o que é
Velhinhos são crianças nascidas faz tempo
com água e farinha colo figurinha e foto em documento
Escola! É onde a gente aprende palavrão...
Tambor no meu peito faz o batuque do meu coração
Mas eu não sei na verdade quem eu sou
Já tentei calcular o meu valor
E sempre encontro sorriso... e o meu paraíso é onde
estou
Eu não sei... na verdade quem eu sou
Perceber que a cada minuto
tem um olho chorando de alegria e outro chorando de
luto
tem louco pulando o muro, tem corpo pegando doença
tem gente trepando no escuro, tem gente sentido
ausência
Meninas... são bruxas e fadas
Palhaço é um homem todo pintado de piadas
Céu azul é o telhado do mundo inteiro
Sonho é uma coisa que fica dentro do meu travesseiro
Mas eu não sei na verdade quem eu sou
Já tentei caular o meu valor
Mas sempre encontro sorriso e o meu paraíso é onde
estou
Mas eu não sei na verdade quem eu sou..."
segunda-feira, 16 de julho de 2007
Problemas

Muitas coisas são difíceis, talvez porque nós, homens, racionais, adoramos inventar problemas, mesmo quando eles aparentemente não existem. Provavelmente para vangloriar-nos por conseguir solucionar os problemas que nós mesmos criamos com tanta maestria. Aliás, se criar problemas é algo que fazemos com tanta perícia, o oposto não é verdadeiro. Ainda estamos engatinhando nessa arte, e, muito provavelmente, nunca concluiremos nem o primeiro grau. Mesmo porque não existe quem nos ensine, e essa é a maneira mais eficaz de se aprender alguma coisa... qualquer coisa. Às vezes esquecemos que as pessoas em quem nos baseamos são simplesmente pessoas, sujeitas a erros, como nós mesmos! São pessoas que criam problemas que elas próprias não podem solucionar. E se, por um lado isso é bom, na medida em que diminui nossa carga de arrependimento com uma racionalização primitiva de que "todo mundo erra" e "ninguém pode acertar sempre", pelo outro é desolador, por nos colocar em uma consciência de que sempre vamos errar, arrepender-nos e perder o sono com autos-problemas insolúveis.
Problemas, problemas, problemas...
Talvez se parássemos de criá-los, eles não existiriam. Como um desenho na imaginação que nunca chega ao papel.
quarta-feira, 11 de julho de 2007
O outro
segunda-feira, 2 de julho de 2007
Silêncio
sexta-feira, 29 de junho de 2007
Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
Fernando Pessoa
De tanto querer me encontrar, acabei perdendo-me dentro de mim... e agora sou nada, sou caos.
terça-feira, 26 de junho de 2007
Jornada Iniciática - O Louco

Uma jornada iniciática não pode partir de preceitos estabelecidos. Muito pelo contrário: ela deve começar justamente pela eliminação de todo e qualquer conceito que possa, de alguma forma, direcionar ou influenciar o caminho de quem se propõe a empreendê-la. Note-se que o Louco se encontra, justamente, à beira do abismo. O próximo passo, que ele já começou a dar, o lançará no desconhecido, sem nenhum ponto de apoio, deixando para trás tudo aquilo que é sólido.
Lançar-se no abismo (domínio do Ar e, portanto, dos inícios) significa, também, mergulhar na própria consciência, ir ao fundo de si mesmo, atirar-se ao fundo do poço de nossa personalidade. Ao atingirmos o fundo do poço, só existe um caminho de saída: para cima. Logo, apenas ao atingi-lo poderemos empreender a escalada; construir, degrau por degrau, a escada que nos levará das profundezas escuras de volta ao Sol, para que possamos, novamente, ver o Mundo.Esse é, portanto, o teor da jornada iniciática, da qual a cerimônia de iniciação, o rito de passagem, marca simplesmente a culminância do processo. Por isso mesmo, em sua celebração, o rito busca reprisar os episódios da jornada, refazer a desconstrução e reconstrução da personalidade, representar em momentos aquilo que, por vezes, levou anos. No decorrer de nossa vida, podemos passar por diversos processos desse tipo, conscientes ou não, orientados ou não. O final de cada um desses processos é apenas o início do próximo.
Um exemplo disso nos é dado pela própria vida, a grande jornada iniciática em si, que encerra todo o processo cíclico de nascimento, aprendizagem, morte e renascimento. Somos matéria bruta ao nascermos e, ao longo dos anos, adquirimos o conhecimento que nos dá, na velhice, a clara visão do mundo, tão decantada como a sabedoria que surge com a idade. O próximo passo, no entanto, é novamente o mergulho no abismo, no desconhecido...
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