
Já que farei uma confissão, em primeiro lugar, preciso confessar que irei confessar. Tal qual um Dante às avessas (saí do Paraíso para ir às profundezas do Inferno). Mas devo confessar que, ao decorrer de minha caminhada, de minha exaustiva caminhada, que me tem esgotado diariamente até a última das forças, tem-me feito sangrar até a última gota, percebi que, na realidade, efetivamente saía do Inferno; mas sem a confortável certeza de um dia chegar ao Paraíso. O mais perigoso do inferno é que, quando se está nele, tem-se a certeza de que se está no Paraíso; no Inferno, temos relativa paz. Agora, presa nos confins do Purgatório, não sei dizer se o paraíso existe, mas algo aparece em minha frente, ainda disforme, ainda irreconhecível. Posso ter andado em círculos e voltado ao inferno? Se voltei, será para avisar a todos que existe mais do que apenas o inferno. Se vão acreditar em mim ou me mandar para a primeira clínica psiquiátrica que encontrarem, eu não sei. Só tenho uma certeza: minha confissão não terminará por aqui. Apenas preciso de tinta e papel para prosseguir.
(texto escrito por Nemesis. Acesse
http://twisted-fury.blogspot.com para ler o Manifesto da Insanidade (ou da Verdade Desnuda))

