quarta-feira, 8 de julho de 2009

Devaneio matinal

As emoções embaçam nossos sentidos, mascaram a realidade. Parte do que vivemos é simplemente o reflexo da realidade que criamos dentro de nós. Se é assim, como viver? Enclausurar os sentimentos e fiar-nos somente nos instintos? Ou então afogar nossos impulsos antes que eles aflorem e guiar-nos exclusivamente pelo raciocínio e a lógica?
No primeiro caso estaríamos nos rebaixando a mais pura realidade naturalista, ao animalismo. No segundo, seríamos nada mais que máquinas programadas para absorver informações, processá-las e estabelecer uma conduta, verdadeiros robôs.
O mais sensato (e óbvio) é a união parcimônica dos três atributos que nos definem como Homens, Seres Humanos: instinto, emoção e raciocínio.
Parece tão fácil, banal, quase inato... e mesmo assim, com alguns bons mil anos de existência não conseguimos viver em harmonia. E não a quimera da harmonia entre os povos, a paz mundial, o fim das diferenças. Não, aqui, hoje, sonho mais baixo (e tão intangível quanto): a hamônia entre as três entidades e a realidade em cada Ser Humano (incluindo-me).
Talvez, assim, um dia, a palavra Humano seja verdadeira em seu sentido.

domingo, 21 de junho de 2009

Escolhas

Entre tantas vidas, qual delas viver?

sábado, 30 de maio de 2009

II (pausa)

Algumas vezes me distraio, de mim, dos meus medos, dúvidas, frustrações, e então, inexplicavelmente, eu vivo. Em uma pausa sem querer da minha vida, eu vivo.
Mas é só até eu perceber.

sábado, 2 de maio de 2009

Já (não) sei

Não vou mentir pra mim mesma. Mas o que é ser sincero, mesmo que não se tenha ninguém a quem confessar, mesmo que não se tenha o que confessar? O que é que fica guardado dentro de não sei onde que gera tanta dúvida, tanta angústia? O que tanto faz falta? O que procuramos, desesperadamente?
Pra ser sincera (comigo mesma,e pra mais ninguém), espremer minha alma até saírem gotas de sinceridade... Sei o que procuro, por mais piegas que pareça (ou realmente seja).
Procuro um sentido que não existe, e esse medo irracional da solidão. Essa necessidade mórbida de companhia, de aceitação, de alguém que faça as minhas certezas certas... Esse inevitável sentimento de não se sentir sozinho...
Esse fatal erro de procurar em outro o que não se encontra em si.

sábado, 11 de abril de 2009

Desejos

Desejo os desejos, não suas realizações...
A inconstância do sentir provoca arrepios

solidão é chuva

Por esses dias, li uma frase que me deixou atordoada. Não consegui entender o que o autor quis expressar (aliás, não consigo me lembrar de quem é, mas vou ser absolvida, estelionato é crime, falta de memória, nem sempre). Enfim, uma frase simples, extremamente simples, que me fez pensar em mais de um milhão de coisas diferentes e não me fez chegar a conclusão nenhuma. Mas me deixou um gosto de terra molhada de chuva de fim de tarde, quando ainda tem um restinho de sol, aquela chuva fina, mas firme, que só pode ser saboreada acompanhada de si mesmo e mais ninguem; aquela chuva que começa gotinhas de sol e vai se intensificando até causar um certo frio, mas fica tão bom, que mesmo com frio não dá vontade de sair dali, porque além de chuva, do céu caem raios de sol... chuva de finzinho de tarde; solidão gostosa, aquela em que você não se sente sozinho...
(Tem as escuras e tempestuosas, mas não são esses cheiros pesados e trovoados que me invadem o corpo e a memória... só o cheiro de sol, chuva, solidão e terra molhada...)