terça-feira, 8 de abril de 2008

Gaiola


As coisas eram estranhas. Tantos sentimentos confusos e contraditórios ao mesmo tempo. Uma revoada de todos os pássaros na mesma pequena gaiola.
Tristeza lamacenta, felicidade eufórica, depressão avassaladrora, angústia corrosiva, tranquilidade irritante, risada incontrolável, choro mais incontrolável ainda. E tudo completamente incoercível.Completamente intrigante, completamente vivo. Não sabia nunca o porque de cada sentimento, mas eles estavam todos ali, alternando-se num ciclo aleatório, insensato. Indescritível.
Algumas vezes, somente o vazio, escuro, frio, arrepiante. Outras, só o coração batendo forte, tão forte que chegava a machucar. Batia e batia doído, preso por cordoalhas tendinosas e algum sentimento que ela não conseguia entender. A água acumulando-se nos olhos, borrando a vista, distorcendo as palavras, molhando o rosto, escorrendo a maquilagem, salgando a alma e aliviando a boca, que não sabia mais formar palavras, só sabia amargar a dor das lágrimas e do músculo pulsátil preso ao peito.
Só sentia.E esperava que a gaiola suportasse tantas asas.

Um comentário:

kz disse...

preciso de uma gaiola nova... a minha arrebentou... ou quase.