A dor é o sentimento que conecta as pessoas umas às outras
mas ainda assim, não é capaz de torná-las humanas
domingo, 28 de setembro de 2008
terça-feira, 16 de setembro de 2008
jogos
Em alguns momentos, poucas coisas me interessam. Justamente nesses momentos, muitas coisas me interessam.
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
memórias
Parece que foi há tanto tempo
um tempo tão longe, tão distante, que algumas vezes até parece que foi com outra pessoa
ou que nunca existiu
ou que foi fantasia
olho fotos nem tão antigas e não me encontro
minha face estampada em um filme fotográfico
sim! reconheço os olhos, o sorriso
mas não eu
não pode ser
não me recordo
lembro-me vagamente, como se alguém tivesse me contado
uma outra pessoa, talvez conhecida
enigma, incógnita
muito do que foi talvez nunca tenha sido, senão somente imaginação
e muito do que se foi perdeu-se nas entrelinhas da memória, chega a não-ser
...
não, definitivamente não foi
um tempo tão longe, tão distante, que algumas vezes até parece que foi com outra pessoa
ou que nunca existiu
ou que foi fantasia
olho fotos nem tão antigas e não me encontro
minha face estampada em um filme fotográfico
sim! reconheço os olhos, o sorriso
mas não eu
não pode ser
não me recordo
lembro-me vagamente, como se alguém tivesse me contado
uma outra pessoa, talvez conhecida
enigma, incógnita
muito do que foi talvez nunca tenha sido, senão somente imaginação
e muito do que se foi perdeu-se nas entrelinhas da memória, chega a não-ser
...
não, definitivamente não foi
sábado, 2 de agosto de 2008
teorias
até ontem havia milhões de teorias, todas imaculadas, perfeitas
hoje, sem mais nem menos, todas sumiram, desapareceram, caíram no oco do erro, da culpa e da certeza de, por mais que se tente, algumas atitudes não se mudam, por mais que sejam sufocadas por camadas e mais camadas da tinta de ilusão
(03 de agosto de 2008
o post do dia 02, cheio de confabulações majestosas esvaiu-se, inexplicavelmente
muito a propósito, resolvi utilzar-me do espaço remanescente)
hoje, sem mais nem menos, todas sumiram, desapareceram, caíram no oco do erro, da culpa e da certeza de, por mais que se tente, algumas atitudes não se mudam, por mais que sejam sufocadas por camadas e mais camadas da tinta de ilusão
(03 de agosto de 2008
o post do dia 02, cheio de confabulações majestosas esvaiu-se, inexplicavelmente
muito a propósito, resolvi utilzar-me do espaço remanescente)
terça-feira, 22 de julho de 2008
Interlúdio
(Entre a existência e a derradeira passagem, somente um simples e breve interlúdio)
Não temo a morte, nem devo temê-la. O que dói não é ver a morte invadindo a órbita onde antes se encontrava tanta vida. O que dói é ver a dor e o sofrimento, o fracasso. Alguém que tinha tudo pra ser tudo, e se resume a, simplesmente, nada, ou pior, resume-se a uma dor e sofrimento que apenas se estão no preâmbulo. A angústia da morte é muito mais intensa quanto mais essa se delonga em se apoderar de sua vítima. Lenta, corrosiva, implacável. A morte arrastando-se em forma de câncer, tecendo, como uma grande e impreterível aranha sua teia.
Ó morte, cria eu ser tu muito mais piedosa! Arrebata-lho, de uma vez e sempre, a vida. Leva-lhe contigo, de uma vez e sempre. Acaba, tu, com tudo e fecha, de uma vez e sempre, essa úlcera, ferida aberta em meu peito. Cessa, tu, esse impúdico cortejo e toma-lhe, de uma vez e sempre, o que é teu de direito.
Ó morte, mais viva que nunca, tu jazes em meu peito.
Que queres tu com tanta dor?
Deve haver algum sentido. Tem que haver.
Não temo a morte, nem devo temê-la. O que dói não é ver a morte invadindo a órbita onde antes se encontrava tanta vida. O que dói é ver a dor e o sofrimento, o fracasso. Alguém que tinha tudo pra ser tudo, e se resume a, simplesmente, nada, ou pior, resume-se a uma dor e sofrimento que apenas se estão no preâmbulo. A angústia da morte é muito mais intensa quanto mais essa se delonga em se apoderar de sua vítima. Lenta, corrosiva, implacável. A morte arrastando-se em forma de câncer, tecendo, como uma grande e impreterível aranha sua teia.
Ó morte, cria eu ser tu muito mais piedosa! Arrebata-lho, de uma vez e sempre, a vida. Leva-lhe contigo, de uma vez e sempre. Acaba, tu, com tudo e fecha, de uma vez e sempre, essa úlcera, ferida aberta em meu peito. Cessa, tu, esse impúdico cortejo e toma-lhe, de uma vez e sempre, o que é teu de direito.
Ó morte, mais viva que nunca, tu jazes em meu peito.
Que queres tu com tanta dor?
Deve haver algum sentido. Tem que haver.
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Morangos Mofados
Prelúdio
No entanto (até no-entanto dizia agora) estava ali e era assim que se via. Era dentro disso que precisava mover-se sob o risco de. Não sobreviver, por exemplo — e queria? Enumerava frases como é-assimqile-as-coisas-são ou que-se-há-de-fazer-que-se-há-de-fazer ou apenas lTttsafinalque.importa. E a cada dia ampliava-se na boca aquele gosto dernorangos mofando, verde doentio guardado no fundo escuro de alguma gaveta.
CAIO FERNANDO ABREU
No entanto (até no-entanto dizia agora) estava ali e era assim que se via. Era dentro disso que precisava mover-se sob o risco de. Não sobreviver, por exemplo — e queria? Enumerava frases como é-assimqile-as-coisas-são ou que-se-há-de-fazer-que-se-há-de-fazer ou apenas lTttsafinalque.importa. E a cada dia ampliava-se na boca aquele gosto dernorangos mofando, verde doentio guardado no fundo escuro de alguma gaveta.
CAIO FERNANDO ABREU
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Clarabóia
Céu escuro tão estrelado que clareia
ofusca qualquer pensamento
somente uma contemplação muda e absoluta
ofusca qualquer pensamento
somente uma contemplação muda e absoluta
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